Oficina de escrita explora o empoderamento feminino com ênfase nas histórias de vida

Atividade ocorreu nesse sábado (10), na sede do ASSUFOP, e colocou em destaque as lutas e as potencialidades das mulheres presentes.

Participantes da Oficina. A atividade durou pouco mais de quatro horas e contou com a participação de dez mulheres. (Foto: ASCOM/ASSUFOP)

“É muito interessante a gente parar e perceber o lado positivo da nossa luta, das nossas mulheres, das nossas companheiras. Quando você se dedica a escrever sobre a mulher que sou, sobre o mulherão que está ao meu lado, você acaba se conhecendo e, também, conhecendo as lutas do outro”.  É com esse olhar sensível à alteridade que a estudante da UFOP, Catarina Rodrigues, descreve sua participação na “Oficina de Escrita para Mulheres: Expressão e Empoderamento” ocorrida na tarde desse sábado (10), na sede do Sindicato ASSUFOP.

O evento foi promovido pelo Comitê Central de Mobilização da Região dos Inconfidente, com apoio do ASSUFOP, SINASEFE IFMG e ADUFOP, e contou com a participação de estudantes e trabalhadoras de várias idades. O evento foi pensado para complementar as ações referentes ao 8 de março; dia internacional de luta da mulher. Ainda para a estudante, “essa oficina foi uma forma de comemorar bem essa data (8 de março). Você se reconhece mulher, reconhece a mulher que está ao seu redor por meio da troca de experiências. É bastante positivo e empoderador”, detalha.

Narrar o “eu” e o “nós”

Em pé, a ministrante da atividade, Jéssica Romero. A jornalista desenvolve desde 2015 oficinas de escrita criativa sobre mulheres (Foto: ASCOM/ASSUFOP).

Foi a segunda vez que o Sindicato ASSUFOP trouxe a Ouro Preto uma atividade de texto com tal temática. A primeira edição ocorreu em 2016. Através de atividades dinâmicas, muito diálogo e exercícios de relaxamento, a oficina trabalha escrita livre como forma de expressão das angústias, os anseios e desejos relativos às questões de gênero vivenciadas por mulheres. O tom da conversa foi nítido e, ao mesmo tempo, imprevisível: explorar a narrativa do “eu” e do “nós”, capaz de lançar luz sobre as amarras que ameaçam o feminino, por meio da total autonomia das participantes. Autonomia essa que surpreende as participantes ao enveredar nas histórias de vidas, nas inquietações narradas por cada mulher.

Jéssica Romero, jornalista e ministrante da Oficina, avaliou a ação positivamente e enfatizou a pluralidade do público presente. “O resultado da oficina foi muito gratificante. Em uma tarde conseguimos nos conhecer, discutir questões importantes relacionadas à temática de gênero e ainda produzir dois textos por pessoa. Acredito que a diversidade de idade e de experiências das participantes foi fundamental para cumprir a proposta da atividade, que era ser uma construção coletiva”, conclui. A jornalista lembra ainda do valor de se pensar sobre o espaço no qual estamos inseridos através de dinâmicas pouco comuns no dia-a-dia, “iniciativas como essa de realizar uma oficina gratuita e aberta são importante para repensarmos nossas relações sociais e de trabalho em meio a uma rotina de muita produtividade e pouca reflexão”, sublinhou.

Roda de leitura dos textos sobre si e sobre o outro.(Foto: ASCOM/ASSUFOP).

A estudante Helen Guimarães sublinhou o fecundo espaço de diálogo da oficina.”Foi um espaço muito importante de trocar, olhar e escrever para as mulheres que estão ao nosso lado e descobrir o quão incrível essas mulheres são. Toda mulher é uma mulher de luta. O final também foi bem interessante porque escrevemos sobre nós, e com isso a gente percebe que somos um pedacinho de cada mulher”, ressaltou.

Débora Queiroz, representante da União Brasileira de Mulheres de Ouro Preto (UBM), destacou as histórias de vida compartilhadas que apontam para o esforço diário da população feminina em transformar a sociedade.  “A oficina consegue aproximar mulheres que estão no nosso cotidiano, que são anônimas, mas que passam pelas mesmas lutas, e também acreditam na mesma sociedade que a gente acredita. Nem sempre uma mulher que não atue num determinado movimento, não significa que ela não está construindo uma forma de luta. As mulheres constroem lutas cotidianamente. (…) Somos mulheres em construção e reconstrução”, afirmou.

A oficina também exibiu vídeos com depoimentos de mulheres de diversas classes, raças, escolaridades e crenças. (Foto: ASCOM/ASSUFOP)

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