
Durante a 398ª Reunião Ordinária do Conselho Universitário (CUNI) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), realizada em 5 de novembro de 2026, a conselheira representante dos Técnicos-Administrativos em Educação (TAEs), Débora Walter dos Reis, saiu em defesa do teletrabalho e dos direitos da categoria.
A manifestação serviu para rebater uma publicação recente da Associação dos Docentes da UFOP (ADUFOP). No informativo, a entidade relatou um encontro com a reitoria para a entrega de demandas deliberadas em assembleias docentes. Entre os pontos apresentados, a associação alegou que haveria um “esvaziamento dos campi”, supostamente agravado pelo trabalho remoto dos TAEs, o que geraria sobrecarga nos professores e pressão sobre as chefias.
Ouça a fala na integra
Argumentos e Contrapontos Apresentados
Em sua fala, Débora classificou a alegação como preocupante. Primeiramente, porque a afirmação foi feita sem dados precisos ou estudos empíricos. Além disso ajuda a inflamar rixas desnecessários entre técnicos e docentes.
A conselheira lembrou que o teletrabalho no serviço público federal não é uma medida informal. Pelo contrário, trata-se de uma ferramenta legalmente amparada pelo Decreto nº 11.072/2022. Ademais, o modelo conta com rigorosos métodos de avaliação de resultados e metas de desempenho. Por conseguinte, em hipótese alguma o formato representa ausência de trabalho. Acusar o regime remoto de provocar sobrecarga docente é uma alegação completamente infundada.
Raízes Estruturais: A Queda no Número de TAEs
Por outro lado, Débora salientou que tal comparação simplista ignora um fator histórico crítico: o contingente de técnico-administrativos é drasticamente baixo para o porte da UFOP.
- Em 2015: A universidade contava com 827 TAEs para 860 docentes.
- Atualmente: O cenário inverteu-se drasticamente, com 683 TAEs para 1.035 docentes.
Em resumo, enquanto o número de docentes cresceu cerca de 20%, o quadro de TAEs encolheu aproximadamente 17%. Além disso, ao culpar o teletrabalho pelo esvaziamento dos campi, os docentes ignoram a luta histórica travada pelo sindicato ASSUFOP contra o sucateamento institucional, o acúmulo de funções e o adoecimento generalizado dos servidores que sustentam a universidade.
Unidade e Luta Sindical
Por fim, a comunidade acadêmica precisa estar unida para que a instituição possa prosperar. Afirmações sem embasamento apenas alimentam rixas e invisibilizam o adoecimento de muitos trabalhadores.
Nesse sentido, o ASSUFOP parabeniza a conselheira Débora Walter por sua firme postura no CUNI. O sindicato ASSUFOP continuará mobilizado pela recomposição do quadro de TAEs na UFOP e pela garantia de condições dignas de trabalho para toda a categoria.
