Concessão de Honoris Causa a Camilo Santana escancara falta de democracia interna e apequena a maior honraria da nossa universidade

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Foto: Pedro Olavo (Arquivo ASSUFOP)

Na última segunda-feira, a Reitoria divulgou a pauta para a próxima reunião do CUNI, que acontecerá no Centro de Artes e Convenções da UFOP na próxima quinta-feira. Nela, recebemos a notícia urgente de que, novamente, será discutida no Conselho Universitário a concessão do título de Doutor Honoris Causa ao ex-ministro da Educação, Camilo Santana.

Esta não é a primeira vez que o tema surge. Há alguns meses, pouco antes do início da greve, o assunto foi proposto e o Sindicato ASSUFOP, a ADUFOP e o DCE manifestaram indignação e repúdio à homenagem. Na época, em consenso com as entidades, a Reitoria aceitou retirar o ponto da pauta.

Tudo isso torna ainda mais revoltante o fato de a Reitoria e os envolvidos na proposta não somente insistirem no tema, mas como tentarem pauta-lo com carater de urgencia. O momento atual é ainda mais crítico, dado que os técnicos-administrativos estão em greve para exigir o cumprimento do acordo da greve de 2024, acordo este que não foi cumprido justamente durante a gestão de Camilo Santana.

Com esse movimento, a atual Reitoria demonstra que as promessas de uma universidade mais democrática não passavam de afirmações vazias de campanha eleitoral. Como pode um reitor que se diz apoiador do movimento dos TAEs pautar a homenagem ao indivíduo que descumpriu o acordo firmado com a categoria? Como pode um gestor que afirma ter inclinações democráticas ignorar o repúdio das entidades de base de sua própria universidade?

Durante a Assembleia Universitária ocorrida em maio do ano passado, a Reitoria não poupou críticas aos cortes orçamentários. O que levaria a gestão atual, em um ano de novos cortes, a agraciar o responsável por tamanha negligência com o ensino público?

É verdade, a UFOP receberá o novo Hospital Universitário, mas a universidade deveria rebaixar sua mais alta condecoração a uma mera moeda de troca política? Ter um hospital não é uma “conquista” de Camilo Santana, mas sim uma vitória conjunta de técnicos, professores e estudantes que, há décadas, elevam nossa instituição aos mais altos patamares de excelência.

O reitor parece ter esquecido a grandeza e a força de sua própria instituição ao acreditar que o crescimento da UFOP depende de favores políticos. Pior ainda: para viabilizar tais favores, ignora o posicionamento de todas as categorias que são os pilares de tudo construido na UFOP.

O ASSUFOP, a ADUFOP e o DCE publicaram uma nota conjunta de repúdio expondo os avanços privatistas e os cortes orçamentários da gestão Camilo. Mesmo assim, a Reitoria opta por ignorar as entidades e manter, de forma autoritária, uma homenagem que apequena nossa instituição e fere a memória de nomes já agraciados com esta honraria, como Conceição Evaristo, Chico Buarque, Boaventura de Souza Santos e Milton Nascimento.

Dessa forma, o Sindicato ASSUFOP convoca todos que são contra essa concessão descabida e apoiam o ensino público de qualidade a comparecerem à próxima reunião do CUNI para manifestar seu descontentamento.

A UFOP não precisa de oportunismo político para crescer!

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