
Ontem (03/05), o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência, Romeu Zema (Partido Novo), gerou polêmica durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band. Ao ser questionado sobre a necessidade de uma nova reforma da previdência, o político afirmou “Não podemos estar dando (sic) ganhos reais, de forma alguma, para quem está aposentado, na minha opinião é algo que o Brasil hoje não comporta”
Além de barrar o aumento real das aposentadorias, Zema defendeu que o tempo de contribuição deve acompanhar, de forma automática, o aumento da expectativa de vida da população. Dessa forma, o trabalhador precisaria contribuir por mais tempo à medida que a longevidade brasileira crescesse.
Também quando perguntado sobre como seu governo se comportaria quanto a uma reforma do Executivo, Zema disse que: “Vou mudar muita coisa. Vou privatizar tudo” e ainda acrescentou: “[Farei] uma reforma administrativa, uma reforma previdenciária e revisão de benefícios sociais”, e por fim adicionou que nos próximos 20 anos pretende economizar “algo como tipo 10 trilhões de reais (sic)”.
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Tais alegações escancaram o retrocesso representado por uma agenda de extrema-direita. Zema apresenta números desconexos e sem fontes, enquanto advoga por políticas que penalizam diretamente os aposentados uma categoria que já sofre com a perda constante de direitos e também critica as políticas de assistência social, programas que se demostraram eficientes e essenciais no combate à fome, ao desemprego e aos baixos índices de escolaridade no país.
Nos últimos anos, durante o governo Lula, as frentes sindicais representantes dos TAEs lutaram por pautas fundamentais e conquistaram reajustes salariais, reestruturação da carreira, melhorias no incentivo à qualificação e reajustes no auxílio-alimentação, entre outros pontos.
Com um caráter mais amplo, o serviço público como um todo também foi agraciado com várias vitórias. Recentemente, o governo enviou ao Congresso o Projeto de Lei nº 1.893/2026, que regulamenta a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esta convenção estabelece melhores regras para a negociação das relações de trabalho entre administrações públicas e servidores em todas as esferas federativas, tornando a negociação entre servidores e governo mais democrática. Com isso, percebe-se que as pautas sempre tinham em vista um futuro melhor para a categoria.
Contudo, em um cenário político dominado por figuras como Romeu Zema ou Flávio Bolsonaro, a luta deixaria de ser por avanços para se tornar uma batalha pela mera existência do serviço público e das universidades, com os servidores da ativa e aposentados lutando para que seus reajustes minimamente acompanhassem a inflação, abandonando qualquer esperança de ganho real.
Recentemente, em sua participação no podcast Inteligência Ltda, no dia 1º de maio ainda lamentou as restrições ao trabalho infantil no Brasil. O horizonte desenhado por uma gestão que prioriza as elites e a privatização total é sombrio. Caso esse modelo avance, o trabalhador brasileiro iniciará sua jornada cada vez mais cedo, enfrentando cargas exaustivas adoecendo em funções insalubres. Por fim, o sonho da aposentadoria se tornará inalcançável para muitos, restando aos poucos que conseguirem a tarefa de sobreviver recebendo valores infimos sem qualquer amparo do Estado.
Não podemos deixar que uma política burra, egoísta e desumana como essa seja implantada no nosso país. A luta dos sindicatos dos técnicos-administrativos e de todos os servidores públicos está diretamente atrelada a não permitir políticos que tenham como objetivo o desmantelamento do serviço público.
