Em reunião do CUNI, presidente do ASSUFOP contesta críticas feitas contra a greve dos TAEs

Foto: Pedro Olavo (ASSUFOP)

Na última terça-feira (30/06), na reunião extraordinária do Conselho Universitário, o presidente do Sindicato ASSUFOP, Gabriel Souza, solicitou a palavra para dar informes acerca da greve e rebater ataques contra o movimento paredista dos técnicos-administrativos ocorridos durante a última reunião do CONPEP, no dia 27/06.

Em sua fala, o presidente do sindicato informou sobre a atual conjuntura da greve, dizendo que, no momento, a categoria espera pela assinatura do decreto do RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências), que deve ocorrer ainda nesta semana.

Ele também rebateu as declarações feitas na última reunião do CONPEP, as quais escancararam uma triste realidade na UFOP referente à relação entre alguns docentes e os técnicos-administrativos. Falas sem embasamento argumentativo atacaram a greve da categoria, deslegitimando sua luta e, de forma inquisitorial, solicitando a judicialização do movimento paredista.

Acontecimentos como esse evidenciam uma posição apática de parte da categoria docente para com os técnicos-administrativos. Nas falas na reunião do CONPEP, ficou clara a falta de pesquisa sobre a greve.

A começar por uma leitura rasa do RSC, vinda de docentes que claramente não dedicaram um minuto de suas vidas para ler a respeito do que essa ferramenta realmente representa para os técnicos e como ela impacta a universidade. Tal visão é extremamente nociva para o movimento, já que diminui e simplifica uma pauta importantíssima com base em achismos.

Nas manifestações, a desinformação ficou evidente quando se insinuou que o RSC é um pioneirismo do Brasil, sendo que todo esse sistema se baseia nos modelos de reconhecimento da educação não formal em diversos países europeus. Os ataques ao RSC mostram-se apenas como um movimento reacionário a uma ferramenta que já vem sendo muito bem aplicada no exterior.

E, logo após uma exposição com ataques a um movimento legítimo, sem nenhum tipo de fundamentação teórica, o teletrabalho foi apontado como um dos problemas que a UFOP enfrenta no momento.

Em uma universidade cuja situação financeira está prestes a colapsar, seguida de um contingente baixíssimo de técnicos e de ataques constantes da extrema-direita contra a estrutura das universidades em geral, esses docentes chegaram à conclusão de que o grande problema é o local onde os técnicos estão exercendo suas atividades laborais? Em vez de se inteirarem das pautas da atual greve e entenderem as demandas da categoria, eles se voltaram contra uma ferramenta que melhorou a vida laboral dos TAEs e contribuiu para a eficiência da execução de suas tarefas.

Em sua fala no CUNI, Gabriel expôs sobre o RSC, explicando exatamente o que essa ferramenta traz para o serviço público. Além disso, rebateu as falas sobre uma suposta falta de mobilização do movimento:

“Preciso aqui informar aos colegas que não cabe a nenhum conselho superior da universidade discutir a nossa greve. Esse é um tema único e exclusivo da nossa categoria, como garante nosso direito constitucional! E eu, particularmente, não acredito que uma greve que envolve 54 universidades federais seja uma greve esvaziada para os padrões atuais da sociedade! Muito pelo contrário! Nossas assembleias sempre atingem um número superior a 70 pessoas presenciais e cerca de 250 de maneira remota. Sinceramente, não acho que isso sejam assembleias esvaziadas.”

Veja a fala de Gabriel na íntegra abaixo:

Ele também salientou que as declarações feitas no CONPEP seriam facilmente configuradas como assédio e pediu que os professores se retratassem: “Vocês assediaram toda uma categoria para satisfazer suas necessidades pessoais!”.

Outro ponto importante tocado pela fala dos professores foi o adoecimento dos trabalhadores da universidade, principalmente agora em que os TAEs paralisaram suas atividades. O Sindicato ASSUFOP coloca-se sempre na luta por boas condições de trabalho, proporcionando um ambiente saudável que priorize a saúde mental dos servidores. Porém, não há como não salientar a obtusa alegação de que o adoecimento está ligado à greve.

A falta de técnicos-administrativos na instituição é uma das principais pautas do Sindicato. A UFOP tem um contingente ridiculamente pequeno de técnicos e, há anos, os TAEs enfrentam o acúmulo e o desvio de funções. O adoecimento na universidade devido a jornadas de trabalho exaustivas já existia há anos, e o sindicato vem lutando contra isso em todas as instâncias. Dessa forma, é indignante ver essa problemática histórica da nossa instituição sendo colocada exclusivamente nas costas da luta legítima dos técnicos, principalmente sendo uma crítica vinda diretamente daqueles que se colocaram a favor da criação de cursos de pós-graduação sem a contratação de novos técnicos!

Por fim, o presidente fez um apelo à Reitoria e a todos os presentes para que tudo na UFOP seja feito com diálogo e de maneira democrática. Salientou a necessidade da criação de cursos para servidores da ativa em relação às legislações que afetam os servidores e ao estatuto da UFOP, e também fez um apelo para que a universidade aja ativamente para zelar pela saúde física e mental dos TAEs, docentes e alunos, visando à criação de um ambiente universitário seguro e saudável.

Mesmo assim, a greve continuou a ser atacada, tendo sua mobilização e o andamento das negociações questionados. Mesmo com a tentativa de diálogo, parece ser inevitável a falta de compreensão de que a greve dos técnicos não é o problema da UFOP; pelo contrário, a greve é uma das poucas mobilizações da universidade que está batalhando por um melhor funcionamento da instituição. Parece que esses docentes se esqueceram de que uma das pautas do movimento é justamente a democratização das Instituições Federais de Ensino.

Nas lutas travadas pelos professores, os técnicos nunca hesitaram em gritar em uníssono com as pautas docentes. No entanto, em um momento em que os TAEs estão sozinhos reivindicando seus direitos, precisam enfrentar não só o silêncio da comunidade acadêmica, como também ataques diretos ao seu movimento.

É triste ver que, em um momento complicado como este, no qual as universidades estão sendo atacadas às vésperas de uma eleição que poderá colocar no poder aqueles que querem destruir por completo a educação no Brasil, a maior e mais preterida categoria do serviço público precisa se colocar sozinha na linha de frente do enfrentamento à destruição do ensino público.

Talvez seja o momento desses docentes descerem de seus pedestais e entenderem que a melhor maneira de acabar com a greve dos TAEs não é atacá-la com ameaças de judicialização e cortes de ponto, mas sim com empatia, juntando-se à luta dos técnicos para que os direitos de todos esses trabalhadores, que são os pilares da universidade pública, sejam integralmente cumpridos.

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