Reuniões do CONPEP e do CUNI escancaram apatia dos docentes com a luta dos TAEs

Declarações feitas nas últimas reuniões do CONPEP e do CUNI escancararam uma triste realidade que ocorre na UFOP, referente à relação entre os docentes e os técnicos-administrativos. Falas sem embasamento argumentativo atacaram a greve da categoria, deslegitimando sua luta e, de forma inquisitorial, solicitando a judicialização do movimento paredista.

Acontecimentos como esse evidenciam uma posição apática da categoria docente para com os técnicos-administrativos. Nas falas dos docentes na reunião do CONPEP no dia 27/06, ficou clara a falta de pesquisa sobre a greve, as pautas e os efeitos devastadores que a judicialização teria na vida de centenas de trabalhadores.

A começar por uma leitura rasa do RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências), vinda de docentes que claramente não dedicaram um minuto de suas vidas para ler a respeito do que essa ferramenta realmente representa para os técnicos e como ela impacta a universidade. Tal visão é extremamente nociva para o movimento, já que diminui e simplifica uma pauta importantíssima com base em achismos.

Nas manifestações, também fica clara a desinformação quando se insinua que o RSC é um pioneirismo do Brasil, sendo que todo esse sistema se baseia na Validação da Aquisição de Experiência (VAE) do governo francês, criada pela Lei de Modernização Social do país em 2002, mas com raízes em legislações de 1985. Os ataques ao RSC mostram-se apenas como um movimento reacionário a uma ferramenta que já vem sendo muito bem aplicada em outros países.

Acerca da judicialização da greve, dá-se a entender também que os docentes não conhecem minimamente a legislação. Ou devemos acreditar que, de livre e espontânea vontade, esses professores defenderam uma judicialização que implicaria no corte de ponto e, por consequência, na devolução do valor referente a três meses de salário de centenas de trabalhadores com famílias para sustentar?

E, logo após uma exposição com ataques a um movimento legítimo, sem nenhum tipo de fundamentação teórica, o teletrabalho foi apontado como um dos problemas que a UFOP enfrenta no momento.

Em uma universidade cuja situação financeira está prestes a colapsar, seguida de um contingente baixíssimo de técnicos e de ataques constantes da extrema-direita contra a estrutura das universidades em geral, os docentes chegaram à conclusão de que o grande problema é o local onde os técnicos estão exercendo suas atividades laborais. Ao invés de se inteirarem das pautas da atual greve e entenderem as demandas da categoria, os docentes se voltaram contra uma ferramenta que melhorou a vida laboral dos TAEs e contribuiu para a eficiência da execução de suas tarefas.

Outro ponto importante tocado pela fala dos professores foi o adoecimento dos trabalhadores da universidade, principalmente agora em que os TAEs paralisaram suas atividades. O Sindicato ASSUFOP coloca-se sempre na luta por boas condições de trabalho, proporcionando um ambiente saudável que priorize a saúde mental dos servidores. Porém, não há como não salientar a obtusa alegação de que o adoecimento está ligado à greve.

A falta de técnicos-administrativos na instituição é uma das principais pautas do Sindicato no momento. A UFOP tem um contingente ridiculamente pequeno de técnicos e, há anos, os TAEs enfrentam o acúmulo e o desvio de funções. O adoecimento na universidade devido a jornadas de trabalho exaustivas já existia há anos, e o sindicato vem lutando contra isso em todas as instâncias. Dessa forma, é indignante ver essa problemática histórica da nossa instituição sendo colocada exclusivamente nas costas da luta legítima dos técnicos, principalemente sendo um crítica vinda diretamente daqueles que se colocaram a favor da criação de cursos de pós-graduação sem a contratação de novos técnicos!

No dia 30 de junho, o presidente do Sindicato ASSUFOP pediu a palavra na reunião do Conselho Universitário para debater os ataques dos docentes. Em sua fala, Gabriel esclareceu aos presentes os reais objetivos e aplicações do RSC, assim como seu histórico. Além disso, detalhou as pautas da greve e apresentou um panorama sobre a atual movimentação do movimento paredista.

Mesmo assim, a greve continuou a ser atacada, tendo sua mobilização e o andamento das negociações questionados. Mesmo com a tentativa de diálogo, parece ser inevitável a falta de compreensão por parte dos docentes de que a greve dos técnicos não é o problema da UFOP; pelo contrário, a greve é uma das poucas mobilizações da universidade que está batalhando por um melhor funcionamento da instituição. Parece que os docentes se esqueceram de que uma das pautas do movimento é justamente a democratização das Instituições Federais de Ensino.

Nas lutas travadas pelos professores, os técnicos nunca hesitaram em gritar em uníssono com as pautas docentes. No entanto, em um momento em que os TAEs estão sozinhos reivindicando seus direitos, precisam enfrentar não só o silêncio da comunidade acadêmica, como também ataques diretos ao seu movimento.

É triste ver que, em um momento complicado como este, no qual as universidades estão sendo atacadas às vésperas de uma eleição que poderá colocar no poder aqueles que querem destruir por completo a educação no Brasil , a maior e mais preterida categoria do serviço público precisa se colocar sozinha na linha de frente do encontreenfrentamento à destruição do ensino público.

Talvez seja o momento de os docentes descerem de seus pedestais e entenderem que a melhor maneira de acabar com a greve dos TAEs não é atacá-la com ameaças de judicialização e cortes de ponto, mas sim com empatia, juntando-se à luta dos técnicos para que os direitos de todos esses trabalhadores, que são os pilares da universidade pública, sejam integralmente cumpridos.

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